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[quarta-feira, 3 de março de 2010]

SOBRE EDUAÇÃO


Um dia desses li um comentário sobre os meus artigos sobre a falta de aprofundamento nos temas abordados e respondi à pessoa que a abordagem era dessa maneira a fim de atingir o maior número de ouvintes da rádio e ser compreendida, além disso, as matérias publicadas não podem ser longas por conta do espaço do blog. Gostaria ainda de lembrar que estou escrevendo para a rádio a convite e que o espaço que me é dado, pode ser dado a todos que desejem escrever e manifestar suas opiniões, uma vez que a rádio é comunitária. Não desejei, dessa maneira, parecer arrogante ou pouco modesta. Peço desculpas se me fiz entender dessa forma.
Uma das barreiras que dificulta a compreensão de um texto é a falta de acesso à educação formal, felizmente mais acessível agora, graças ao Enem e ao ProUni.Os resultados da Prova Brasil apontam que os estudantes que concluem o 5º ano do Ensino Fundamental (antiga 4º série) e o Ensino Médio, possuem grande dificuldade em compreender e interpretar textos. Outra dificuldade dos jovens é a produção de textos utilizando as “regras” da língua escrita, pois, a língua que falamos não é a mesma língua que escrevemos. Para registrar a nossa fala no papel, é necessário que conheçamos alguns requisitos básicos da escrita, como regência, concordância, coesão textual e outros elementos mais.
De acordo com o IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), de 2007, que avalia as competências e habilidades adquiridas pelos estudantes através da provinha Brasil e da prova Brasil, o índice do nosso município é de 3,3 para os anos iniciais do Ensino Fundamental e 2,9 para os anos finais. Estamos abaixo da média nacional que é de 4,2 e 3,8, respectivamente e isso não é culpa dos professores ou diretores de escolas, mas da falta de investimento na educação e na qualificação docente.
Apesar da democratização do ensino e de iniciativas do Governo federal como o ProUni, poucos ainda tem acesso ao ensino superior, pois famílias mais pobres não tem como manter seus filhos estudando fora de suas cidades de origem. Falta investimento do governo para ampliar o número de universidades federais e institutos federais de educação, embora o governo Lula tenha ampliado consideravelmente a oferta de vagas e de cursos.
Temos muito a caminhar para dar acessibilidade a todos. Não adianta somente os governos escolherem como lema “educação para todos” e investirem nos sistemas de cota se não investirem na qualidade do ensino e da aprendizagem, desde a Educação Infantil ao Ensino Superior, pois a educação que, de fato, atingirá a todos é aquela que forma cidadãos para agirem na sociedade como sujeitos da tranformação.

Matéria: Niclécia Gama Fontes: IDEB: http://ideb.inep.gov.br Imagem: arquivo pessoal
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