ÚLTIMA HOMENAGEM
Para quem não sabe o que é uma fênix, diz a mitologia grega que é uma ave rara, de penas da cor de brasa ardente, que tem a capacidade carregar grandes fardos e de renascer das próprias cinzas.Talvez eu não tenha falado sobre Mãe, como chamava minha avó Luzia, porque sempre a amei muito e por isso eu não quisesse compartilhá-la com mais ninguém, ... Não falei muito sobre ela, mas o seu papel na minha vida tem uma dimensão imensurável. Apesar de sua pequena estatura, sempre a vi se agigantar e se fortalecer a cada problema que procurava resolver, carregando grandes fardos. Essa é a minha avó Luzia. Uma verdadeira fênix.
Sua casa, sempre foi cheia de vida, de pessoas. Dificilmente alguém ia ao Buri sem passar por lá e tomar ao menos um cafezinho. O bule de esmalte verde estava sempre cheio, à beira do fogão de lenha e o cheiro do café fresquinho, feito pelo menos umas quatro vezes ao dia, enchia o ar daquela casa. Amava as flores e, enquanto podia, seu jardim era rodeado de hibiscos (que chamamos de boca-de-lobo) e sempre varrido diariamente com um feixe de vassourinhas.
A cada obstáculo superado, renasceu fortalecida, mas alguns AVCs seguidos a debilitaram cada vez mais. Uma mente estava lúcida, aprisionada num corpo que já não respondia. E agora, cada vez mais percebo meu egoísmo, pois queria que ela vivesse para sempre, eterna, majestosa, como sempre a vi.
Ontem, na última despedida, dei-lhe um beijo emocionado... o último, nessa existência. Compreendi, finalmente, que era necessária a sua partida, pois não podemos ser mesquinhos a ponto de perpetuar o sofrimento de uma pessoa que amamos só para tê-la perto de nós. Nos encontraremos novamente e esse sentimento que me guiará... Suas lições não serão esquecidas. Fica uma dor, uma saudade doída, que o tempo se encarregará de transformar em lembranças doces... É preciso que se vá, para renascer, como uma fênix...
Matéria: Niclécia Gama / Imagem: Arquivo Pessoal / Postagem: Salvo Horley
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