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[segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011]

O PERIGO DO CIÚME PATOLÓGICO

Quem não já sentiu ciúme de alguém? Ou de algo? Pode-se sentir ciúmes de um(a) amigo(a), de um(a) namorado(a), dos pais em relação ao irmão, de um livro, quando crianças, do brinquedo preferido. O ciúme é inerente à existência humana e está presente até nas relações entre animais. O grande perigo é quando ele extrapola o racional e passa a ser uma doença. Sim, o ciúme excessivo é um transtorno mental, que dá sinais no decorrer de uma relação de amor e pode terminar em crimes passionais, como o que ocorreu.
Geralmente, o portador desse distúrbio percebe “pistas” de que o outro está traindo, onde não existem evidências, ou ainda, não aceitam o final de uma relação amorosa que já está adoecida. Quando aluna da Prof. Dra. Stela Rodrigues, psicóloga renomada, ouvi-a afirmar que devemos ter medo de quem nos diz que ama o tempo todo. Amor e ódio são dois sentimentos muito próximos e viscerais do ponto de vista psicológico.
Amor e ódio são capazes de extremos, como o que a população cipoense pode presenciar. Em crimes passionais se mata por amor, que na cabeça do ciumento ,não aceita que a pessoa amada supostamente pertença a outro(a) senão ele(a). De acordo com Ballone “o que aparece no Ciúme Patológico é um grande desejo de controle total sobre os sentimentos e comportamentos do companheiro(a). Há ainda preocupações excessivas sobre relacionamentos anteriores, as quais podem ocorrer como pensamentos repetitivos, imagens intrusivas e ruminações sem fim sobre fatos passados e seus detalhes. O Ciúme Patológico é um problema importante para a psiquiatria, que envolve riscos e sofrimentos, podendo ocorrer em diversos transtornos mentais. Na psicopatologia o ciúme pode se apresentar de formas distintas, tais como idéias obsessivas, idéias prevalentes ou idéias delirantes sobre a infidelidade.”
Portanto, quando o ciúme é moderado, pode existir o diálogo, o perdão, a retomada da relação, mas quando ele assume o caráter patológico, além de haver o desejo inconsciente de que exista de fato um rival, os delírios e paranóias por ele provocados podem terminar em desfechos terríveis como os crimes passionais.
Não sou conselheira sentimental, nem o pretendo, mas quando o ciúme excessivo começa a tomar corpo em uma relação, o melhor a se fazer é refletir e reconhecer aquilo que nos faz mal e às vezes dar um ponto final. Vai doer, um dos dois, ou talvez os dois irão sofrer, mas o tempo é o melhor remédio para amores mal-resolvidos. O amor, para pessoas que sofrem de ciúme patológico, significa posse, apego excessivo e até egoísmo. Como diz Djavan, na canção Vida Real “amar não é só brincar de amor e sofrer, faz parte do querer (...) Amar (para algumas pessoas) é perigoso demais”.
Grifo meu.


Matéria: Niclécia Gama / Foto: Google / Postagem: Fabrício Martins
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