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[quinta-feira, 24 de março de 2011]

UMA REFLEXÃO SOBRE A HOMOFOBIA

Durante o Carnaval, desfilam as Muquiranas, o Bloco dos Mascarados e outros de homens travestidos, numa caricatura bizarra da essência feminina e da homossexualidade. Tudo é aceitável nesse período. Passada a festa, os velhos preconceitos recaem sobre a sociedade que nega e que rejeita a diversidade sexual. A homofobia é caracterizada pelo ódio, a aversão ou a discriminação de uma pessoa contra homossexuais , que gera o preconceito e a discriminação contra eles.
De acordo com Nestor Teson, “A sexualidade humana é um fenômeno complexo. Entre a atração forte e exclusiva de um homem por uma mulher, de um homem por outro homem, ou de uma mulher por outra mulher, existe uma infinidade de sensações sexuais e emocionais: o desejo, a excitação ou mesmo a frieza em qualquer relacionamento humano, depende dos indivíduos inseridos em determinada situação, e não em quaisquer das especificações arbitrárias que poderiam ser impostas através de sociedade, tais como os rótulos que tentam definir se o indivíduo é heterossexual ou homossexual”.
Até 1993, a homossexualidade era tida pela Organização Mundial de Saúde como uma doença psiquiátrica que deveria ser tratada, mas até hoje algumas correntes religiosas a tratam dessa maneira. Outros a associam a causas genéticas ou que é um produto do meio ou que é opção sexual. Em raros casos o sujeito opta por ser homossexual, sabendo de toda a carga de preconceito que terá de superar por parte da sociedade e da própria família.
Quando acontece com amigos, parentes, é muito fácil dizer que o importante é ser feliz. Quando está no seio da família, a primeira atitude é mandar o filho ou filha embora, acreditando que todo homossexual é promíscuo e que trará “ a vergonha para a família”. Uma vez ouvi a mãe de um aluno dizer que preferia ver o filho preso a ser gay. É chocante se deparar com um preconceito dessa monta em pleno século XXI!
Não vamos nos reter a questões religiosas, mas a questões humanas. Está sendo votado no Congresso Nacional o Projeto de Lei que prevê penas de multas e até reclusão para aqueles que praticam o preconceito e a violência contra os homossexuais. Numa sociedade justa e igualitária, o combate ao preconceito e à discriminação não necessitaria de leis, mas de uma educação inclusiva, no sentido mais amplo da palavra, com respeito à dignidade humana, aos negros, aos pobres, às mulheres, aos deficientes e aos homossexuais.
Proponho então, uma reflexão sobre a homofobia. Muitos que demonstram ojeriza aos homossexuais, inclusive homens casados, param seus carros para um programa nas esquinas onde eles se prostituem, por falta de oportunidades no mercado de trabalho formal.
Eles não precisam de nossa piedade e tolerância e sim do nosso respeito!
MATÉRIA: Niclécia Gama / POSTAGEM: Fabrício Martins
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